Projetando sistemas de avaliação e reputação 0

Sistemas de avaliação de produtos e reputação de pessoas são essenciais em sites participativos e qualquer tipo de mídia social. Em meio a tanta opção, queremos saber rapidamente o que realmente vale a pena e em quem podemos confiar, ou então ficaríamos infinitamente perdido entre conteúdos irrelevantes.

O pessoal do Box and Arrows publicou um artigo bastante esclarecedor sobre como projetar um sistema de avaliação decente. Eles partem do ponto de vista de que as avaliações e reputações são um sistem de gestão de riscos, sobretudo risco de fazer a escolha errada. Uma analogia um pouco restrita ao modelo “mercadológico” de pensar, mas que com um pouco de imaginação nos ajuda a entender como fazer o design dessas ferramenteas seja qual for a aplicação. 

Eles indicam indicam três questões básicas para guiar o design: 

1 Quem está avaliando?
Não adianta em muita coisa ver que o filme recebeu 5 estrelas, se as pessoas que o avaliaram tem um gosto diferente do seu. Para a avaliação ser relevante, é preciso deixar claro quem achou o quê sobre o produto avaliado, como faz a amazon ao usar o nome real das pessoas, e melhor ainda é dar prioridade a avaliações de pessoas que tem um gosto parecido com o seu, como faz a Netflix.

2 O que está sendo avaliado?
É preciso deixar bem claro o que está sendo avaliado, para que as notas realmente reflitam a opinião das pessoas. No caso de uma loja por exemplo, ao se deparar com uma nota dada a um produto, é preciso saber se a nota avalia a qualidade do produto em si, seu preço, ou o prazo de entrega. De preferência, é interessante permitir que os usuário avaliem cada critério separadamente, e a média deles construa uma avaliação geral.

3 Que comportamento está sendo encorajado?
É preciso entender que em um sistema de reputação estamos obrigatóriamente estimulando alguns tipos de comportamento - aqueles que fazem sua reputação subir, e desestimulando outros - aqueles que a fazem cair. Depois de tomarmos consciência desse fato, podemos passar a usá-lo para conduzir a comunidade na construção de um ambiente melhor para todos. Algumas forma de fazer isso são: 

  • Liste os comportamentos que quer encorajar e desencorajar, e crie avaliações para cada um deles
  • Seja tranparente ao mostrar como a reputação de cada usuário está sendo construída
  • Mantenha o sistema de reputação flexível, para evitar manpulação
  • Reflita a realidade, ou o modelo mental do público que está atingindo

via Bokardo

Como foi o 1º Encontro Digital 0

Nesta terça estive no 1º Encontro Digital, realizado pela Tribuna digital. Foi o primeiro de uma série de encontros para discutir a “Internet com foco em negócios”.

A maior parte dos palestrantes eram do campo de midia on-line, o que reduziu minha expectativa de encontrar conhecimento interessante. Mas me surpreendi quando eles mostraram conhecer tendências de comunicação que vão além da publicidade tradicional.

Fábio Saad, da DM9DDB, fez uma apresentação bem didática sobre as diversas formas de marketing on-line. Banners, links patrocinados, etc… Mostrou alguns cases, bons e ruins, relacionados ao uso de redes socias. Mas o que mais me interessou foi sua visão de tendências em marketing on-line. Longe da velha propaganda, ele indica o uso de serviços e entretenimento patrocinado como o caminho a seguir. Concordo, e torço pra que que mais pessoas de mídia pensem assim e passem a fazer coisas mais relevantes com a verba de marketing dos clientes.

Alexandre Canatella, do CyberCook e Vila Mulher, se apresentou como “uma empresa de gerenciamento de comunidades on-line”. Mostrou estar bem esclarecido sobre o assunto da mídias socias e tirar inspiração das idéias de Mafessoli, sobretudo do conceito de Tribalização: A necessidade de socialização sempre existiu, não é um advento da nossa era, a contribuição da web nesse sentido foi facilitar as coisas ao colocar todo o mundo em contato através de uma enorme rede. Ele reforça a idéia de que a web não é só mais uma mídia, que estamos diante de uma mudança no modo como construimos nossa realidade. É legal encontrar pessoas que compartilham comigo da idéia do que é realmente importante na web. 

Ele enumerou cinco aspectos importantes para o que ele chama de ‘curadoria de comunidade on-line’:

  1. Moderação e Gestão: O dono não passa de um curador, não produz o conteúdo. Líderes surgem naturalmente, e a rede tende a construir uma auto-regulamentação;
  2. Clima e Temperatura: Emoções, vaidade e disputa são um combustível para a participação, o curador deve ouvir a todos igualmente para criar a sensação de confiança;
  3. Marca e afetividade: A ligação da marca com o papel de curadoria cria uma sensação de acolhimento e afetividade do público em relação a ela. Isso pode ser explorado para fins de marketing.
  4. Conexões: A curadoria deve desenvolver a percepção do coletivo, inter-conexões das pessoas e conteúdos gerados por elas dão força e longevidade à rede;
  5. Colaboração: Cabe ao curador incentivar a troca de informações e construção coletiva de conhecimento, a maior riqueza das redes. 

Alcindo Gonçalves, do IPAT, veio para mostrar o resultado de uma pesquisa sobre o perfil dos que acessam a Internet aqui na região (Baixada Santista). Mas infelizmente só serviu como ‘curiosidade’, porque a pesquisa se restringiu a assinantes da Tribuna digital. Os resultados foram curiosos, mas se você pensar que são somente pessoas que tem cadastro neste site, escolheram receber newsletter, e quando receberam o convite se deram ao trabalho de ir fazer a pesquisa, fica claro que não representa o público real da região. A boa notícia é que isso foi só um ensaio pra uma pesquisa mais relevante que será divulgada em breve.

Luciano Belfiore, da Folha online, contou a trajetória comercial da Folha online, como a publicidade foi inserida no site, o caminho até achar a medida certa e o desafio de manter um dos principais sites de notícia do país.

Enfim, foi um encontro interessante. Muito bem vindo pela intenção de arejar as mentes do povo de comunicação e contribuir para a evolução daquilo que a região produz como comunicação e marketing on-line. Espero pela continuidade desse projeto e surgimento de outros na mesma linha, talvez com temas além do mercado.

Plurk incentiva participação com estratégias de game 1

O Plurk é um novo seriço de microblogging que ganhou público rapidamente. Me parece que este boom foi em parte consequencia de falhas no sistema do twitter, mas também graças à estratégia de engajamento dos participantes que lembra muito o ambiente de um game.

A experiência de usar o Plurk é muito parecida com a de estar em um jogo. Cada participante tem sua pontuação, o Karma. Quanto mais ativo na rede mais karma, e quanto mais karma mais recursos são liberados. Como num RPG em que cada inimigo que você derrota novos poderes são conquistados.

Além do karma há também as estrelinhas, que indicam alguém que trouxe muitos amigos pro jogo. Um bom recrutador que trouxe 10 amigos pro jogo ganha a primeira estrelinha, e ela vai mudando de cor conforme novos amigos seguem seu convite. Assim temos dois padrões de status paralelos, o nível de experiência (karma) e a popularidade (estrelinhas). 

O que eles dão em troca são basicamente opções de customização da interface e dos posts. Colocar título na sua página pessoal, emoticons ‘exclusivos’ para seus posts, e coisas assim. Esses reursos tornam sua experiência mais divertida e, é claro, seu status mais invejável. 

Então ”me add no plurk”, pra me ajudar a ganhar uma estrelinha e alguns emoticons, hehehehe.  

Comunidades on-line X Individualismo em Rede 2

Comunidades geograficamente definidas (eg: vizinhança) foram o padrão de sociabilidade desde os primórdios da humanidade até o início da era industrial. Esta forma de socialização não desapareceu, mas tem um papel cada vez menor em sociedades modernas. O individualismo é a tendência dominante nas relações sociais em nossas sociedades e dele vemos surgir agora um novo sistema de relações sociais centrado no indivíduo, que vem sendo chamado de Comunidades Personalizadas ou Individualismo em Rede.

Um encadeamento de fatores nos traz essa nova realidade:

  • A individualização da relação entre capital e trabalho e entre o trabalhador e o processo de trabalho;
  • A crise do patriacalismo e desintegração da família nuclear tradicional;
  • Os novos padrões de urbanização onde subúrbios e condomínios isolados fragmentam o sentido espacial de existência;
  • A crise de legitimidade política, que afasta o indivíduo da esfera pública.

A Internet contribui em muito para o estabelecimento do Individualismo em Rede. Não que ela tenha criado este padrão, redes sociais desse tipo sempre existiram fisicamente ou mediadas por tecnologias como o computador ou o telefone. O que acontece é que com a Internet, a rede social centrada no indivíduo ganha força para se tornar a forma dominante de organização social.

Redes Sociais on-line são especialmente eficazes na criação e manutenção de “laços fracos”, aqueles que seriam perdidos se depedessem de um esforço de comunicação maior como um telefonema periódico, por exemplo. Amigos de infância, parentes distantes, antigos colegas de trabalho são exemplos desse tipo de relacionamento. Redes que crescem em torno de interesses específicos criam novos laços fracos, relacionamentos que raramente chegarão a um único encontro pessoal, quanto menos a uma relação duradoura. Mas, se as conexões específicas não são duradouras, o fluxo de novas relações é permanente, e essa é uma das manifestações sociais do individualismo em rede.

“O indivdualismo em rede é um padrão social, não um acúmulo de indivíduos isolados”. Como as pessoas podem pertencer facilmente a várias redes, indivíduos tendem a construir seus portfólios de sociabilidade, investindo diferentemente sua atenção a cada uma delas. Fica visível aí a diferença entre os conceitos de comunidade e individualismo em rede:

  • Em uma comunidade o foco está no coletivo, que permite ou não a participação de cada indivíduo em busca do bem comum, proporcionando sociabilidade, apoio, informação e um senso de integração e identidades social;
  • No Individualismo em Rede é cada indivíduo que escolhe quem fará parte de sua rede pessoal, buscando o benefício dele mesmo. Cada rede individual é única, e muitas vezes seus integrantes não desenvolvem um relacionamento direto entre si, somente com o indivíduo central. A maior parte dos relacionamentos são laços fracos.

Disso decorre uma extrema flexibilidade e diversidade do relacionamento, mas também é uma maneira de acentuar a dissolução de instituições sociais tradiconais. Nossos desenvolvimentos tecnológicos estão aumentando as chances do individualismo em rede se tornar a forma dominante de sociabilidade. Assim estamos construindo a sociedade em rede. E é conflitante para nós que vivemos esta transição escolher entre o apego às tradições que constroem nosso imaginário ou a busca de uma nova forma de sociabilidade, altamente libertária, mas sem grande referências que nos dêem sentido.

Referências:

The Social Affordances of the Internet for Networked Individualism, Barry Wellman
Little Boxes, Glocalization, and Networked Individualism, Barry Wellman
A Galáxia da Internet, Manuel Castells

Ferramentas de Inteligência Coletiva (Sobre “O Conhecimento em Rede”, de M. Cavalcanti e C. Nepomuceno - 3 de 3) 0

O sucesso da implantação de um projeto de Inteligência coletiva depende, e muito, da criação ou escolha correta da ferramenta que servirá de suporte para ela.

Seja a comunidade em rede articulada ou desarticulada, consciente ou inconsciente, a ferramenta de suporte para ela precisa apresentar um pré-requisito fundamental: toda a sua criação e seu desenvolvimento deve ser voltado à comunicação horizontal, de muitos para muitos e em rede. Desde a sua origem até a sua manutenção precisam ser guiadas por este conceito.

Sites alinhados a este conceito de comunicação estão definindo tendências para as ferramentas de inteligência coletiva a medida em que se desenvolvem. A tabela a seguir compara características de sites baseadas no modelo um-para-muitos com sites que adotam o conceito muitos-para-muitos: 

Sites um-para-muitos Sites muitos-para-muitos
  • Gestor de conteúdo
  • Conteúdo sem interação
  • Informações sem medição de relevância
  • Usuários leitores
  • Relacionamento Instituição > Usuário
  • Usuário Invisível
  • Animador de comunidade
  • Conteúdo interativo
  • Informações com medição de relevência, a partir do rastro
  • Usuários leitores/redatores
  • Relacionamento Usuário < > Usuário
  • Usuário visível

 

Os autores descrevem os cinco ambientes que formam uma ferramenta de Inteligência Coletiva:

Ambiente do Usuário
Cada usuário deve ter o seu espaço individual, que é o ponto de partida para toda atividade realizada por ele na rede. Ali ele estabelece sua identidade à medida em que disponibiliza informações que considera relevante. Deve estar a disposição do usuário neste ambiente as ferramentas de publicação e interação que ele possa fazer uso. A ferramenta deve também permitir uma articulação entre este espaço e o espaço das comunidades que o usuário aderiu. 

Ambiente de Comunidade
Deve permitir a publicação de conteúdo próprio da comunidade por seus membros, apresentando as ferramentas de publicação e interação adequadas. É importante que seja trabalhada também a Inteligência Coletiva Incosciente, através do aproveitamento do rastro das ações de cada usuário que passe por ali, e que estes dados sirvam para uma edição automática do conteúdo por relevência.

Ambiente de Animação
Deve ser oferecido aqui instrumentos para que se analide o conjunto de contribuições realizadas e destaque aquelas capazes de gerar mais conhecimento ou ao menos fazer a comunidade avançar em seu funcionamento. Isso é fundamental para guiar a comunidade rumoa seus objetivos estratégicos e projeto geral. A animação pode ser realizada por uma pessoa, um grupo ou ainda pelo próprio software de maneira automatizada.

Ambiente de Administração
Este ambiente deve oferecer instrumento para o acompanhamento e controle, atrvés de relatórios, de toda a atividade dos usuários e comunidades, e sistemas de avaliação do desempenho do projeto.

Ambiente de Busca
É necessário a disponibilização de um mecanismo de busca por conteúdo, pessoas e comunidades. É interessante o uso de folksonomia (tags), o que permite que a própria comunidade, a medida em desenvolve o conteúdo estabeleca parâmentros para sua referenciação.

Estruturas para a Inteligência Coletiva (Sobre “O Conhecimento em Rede”, de M. Cavalcanti e C. Nepomuceno - 2 de 3) 0

Os autores identificam três formas de gerar Inteligência Coletiva em rede:

  • A Inteligência Coletiva Inconsciente: aquela em que o usuário contribui com alguma informação para o coletivo mesmo sem saber, pelo simples ato de navegar;

  • A Inteligência Coletiva Consciente: aquela em que o usuário contribui de maneira voluntária;

  • A Inteligência Coletiva Plena: aquela em que se consegue, num mesmo ambiente, potencializar as duas formas anteriores.  

Uma divisão do trabalho é sugerida. Nela cabe a profissionais de tecnologia construir robos para coletar rastros que formam a Inteligência coletiva Inconsciente, enquanto aos profissionais de informação e comunicação cabe a tarefa de implantar e monitorar a Consciente, onde se lida basicamente com pessoas.

Há ainda dois tipos principais de Redes de interação:

  • As Redes Articuladas, em que há uma participação regular, voluntária, efetiva e consciente. ex.: Wikipedia;

  • As Redes Desarticuladas, em que há uma participação irregular, involuntária, pouco efetiva e inconsiente. ex.: Blogosfera.

 Esses formatos se combinam para estruturar os diversos tipos de comunidades que conhecemos. O design (projeto) de uma comunidade deve considerar qual a melhor estrutura de acordo com as pessoas envolvidas nela e os objetivos que se pretende alcançar. 

Próxima Página »