2008
01.31

Democratização das ferramentas de produção

O principal exemplo é o Compudor pessoal, que deu a milhões a capacidade de produção antes restrita a uma elite minúscula. O resultado é que a quantidade de conteúdo disponível hoje está crescendo mais rápido do que em nenhuma outra época. Essa é a força que aumenta o tamanho da cauda. Espichando-a para a direita.

A cauda longa força 1

Desdobramentos: Produção colaborativa, economia da reputação, auto-editoração, arquitetura da participação

Democratização das ferramentas de distribuição

O PC transformou todos em produtores, mas foi a Internet que nos converteu em distribuidores. O custo da distribuição via internet é absurdamente menor do que o que se gastava com aviões, caminhões, depósitos e pratelerias. Mesmo para bens físicos a Internet diminuiu o custo para alcançar o consumidor. isso aumenta efetivamente a liquidez no mercado da Cauda, o que se traduz em mais consumo, elevando o nível da linha de vendas e ampliando a área sob a curva.

A cauda longa força 2

Desdobramentos: Agregadores, custo de distribuição de bens digitais x materiais, estoque sobre encomenda, eliminação dos estoques

Ligação entre oferta e demanda

Os consumidores precisam ser apresentados aos bens de nicho agora disponíveis. Esse trabalho pode ser realizado por ferramentas de busca, recomendações identificadas por softwares inteligentes ou propaganda boca a boca através de blogs e resenhas de clientes. Tudo isso diminui o “custo de busca” para encontrar algo que satisfaça o interesse específco do cliente. O resultado é o deslocamento dos negócios da área de hits para a dos nichos.

A cauda longa força 3

Desdobramentos: novos formadores de preferência, inteligência coletiva, regras de filtragem, quantidade x qualidade x gosto.

2008
01.29

A Teoria da Cauda Longa apresenta o seguinte cenário: Nossa cultura está progressivamente deixando de se limitar aos hits, pouco numerosos, no topo da curva de demanda, e passando a incluir também uma enorme variedade cultural que surge dos mais diversos nichos, a parte inferior da curva, que forma uma cauda. Esse movimento acontece graças a um novo cenário tecnológico e econômico onde a produção e distribuição de produtos de todo tipo é cada vez mais acessível a todos, e grandes empresas conseguem garantir seu lucro trabalhando com o mercado de nichos.

A Cauda Longa

Seis temas da era da Cauda Longa:

1. Em todos os mercados, há muito mais nichos do que hits. E essa desproporção aumenta à medida em que as ferramenta de produção se tornam mais acessíveis.

2. Os custos para atingir esses nichos estão caindo drasticamente, graças a distribuição digital, tecnologias de busca e outros fatores. Hoje é economicamente viável oferecer uma grande variedade de produtos

3. Os consumidores devem dispor de maneiras para encontrar os nichos que atendem seus interesses particulares – recomendações, classificações e outras ferramentas são essenciais para impulsionar a demanda ao longo da cauda.

4. Quando se conjugam a expansão de variedades e a eficácia dos filtros de seleção a cauda da demanda se torna cada vez mais horizontal e longa, diminuindo a popularidade dos hits e aumentando a dos nichos.

5. Todos os nichos, em conjunto, compõem um mercado tão grande quanto o dos hits, se não maior.

6. Com a livre atuação desses fatores, a forma natural da curva da demanda se revela, mostrando que é muito menos influenciada pelos hits do que supunhamos. Ao contrário, é tão diversificada quanto a própria população.

A Cauda Longa é cultura sem os filtros da escassez econômica.

2008
01.24

Nossa cultura dá alguns sinais de independência da industria do espetáculo desde os anos 90. O que mudou? Em resumo, a quantidade de opções.

Mudanças tecnológicas, sociais e de mercado aumentaram violentamente nossas opções, libertando-nos da escassez de ofertas da cultura de massa para a explosão de abundância e diversidade cultural que vemos emergir hoje. Graças principalmente à internet, não estamos mais restritos ao top 10, nossas opções são virtualmente ilimitadas. Tudo está disponível. É um salto incrível em comparação há 20 anos atrás quando ainda eramos limitados às ecolhas de editores e gerentes de distribuição.

Cauda Longa é sinônimo de abundância de escolha. A crescente facilidade dos processos de produção e distribuição trouxe a diversidade e o público tende a distribuir-se de maneira tão dispersa quanto a variedade de escolhas.

Citação de Vin Crosbie: “cada ouvinte, leitor ou espectador é um conjunto exclusivo de interesses genéricos e específicos. A maioria das pessoas compartilham os mesmos interesses genéricos, enquanto os específicos variam muito de pessoa pra pessoa. A lógica da mídia de massa é agradar ao maior número de pessoas ao mesmo tempo, por isso foca sua produção nos interesses genéricos da maioria. Porém, estamos assistindo a uma inversão de tendência desde os anos 1970, começando pelas revistas especializadas, depois pelos canais de TV a cabo com temas específicos e enfim a Internet onde se tem acesso a milhões de sites, a maioria sobre assuntos muito específicos.”

O resultado é que cada vez mais pessoas estão indo além da midia de massa genérica, e passando a consumir também publicações com conteúdo específico. Não foram as pessoas que mudaram, elas sempre tiveram os mesmos interesses genéricos e específicos, o que mudou foi a oferta de informação, antes restrita ao genérico e agora capaz de atender a ambos.

Isso não significa o fim da estrutura de poder que se criou nas últimas décadas em torno da comunicação de massa. Nossa cultura está se tornando uma mistura entre hits e nichos, cabeça e cauda, instituições e indivíduos, profissionais e amadores. A cultura de massa se tornará menos massificada, e a cultura de nicho menos obscura.

2008
01.24

Este é o primeiro de uma série de posts sobre o livro “A Cauda Longa” de Chris Anderson. Alerto que se trata de um paráfrase resumida, como exercício de estudo, e com foco no cenário cultural e de inteligência coletiva que ele propõe, que é o que realmente me importa.

Até uns 200 anos atrás a falta de meios de comunicação limitava a troca cultural e propagação de idéias. O que determinava as culturas era unicamente a geografia, era o tempo das culturas locais, sotaques e folclores, transmitidos oralmente.

A indústria aglomerou pessoas de diferentes origens em centros urbanos, e não demoraram a surgir tecnologias de comunicação como a imprensa, o fonógrafo, o cinema e o rádio que geraram as primeiras onda de cultura de massa nas cidades. Na década de 1930 surgiram as primeiras redes de rádio nos EUA, transmitindo a mesma voz para todo um país, foi o surgimento da primeiras estrelas, reconhecidas e admiridas por milhões de ouvintes.

A partir do anos 1950, a popularidade da TV definia a tendência dominate, e por isso os preços por frações de minuto no horário nobre aumentavam sem limites. Com todo esse dinheiro entrando, a indústria do espetáculo se aprimorou rapidamente. Foram descobertas fórmulas incríveis para fazer dinheiro reproduzidas em série desde então na produção de discos, filmes, celebridades e etc…

Enquanto corremos para assistir o novo blockbuster, nos grudamos no sofá diante da sensação do horário nobre dessa semana, e as rádios repetem incansavelmente a mesma meia dúzia de músicas da parada, toda uma indústria trabalha em período integral na fabricação dos próximos produtos de massa que mobilizarão multidões.

Muito dinheiro é investido nessa indústria, e os investidores querem o máximo de retorno. Po isso, não basta ser um sucesso, tem que ser o megahit do ano. Se não for um estouro de bilheteria, é um fracasso total. O problema é que produzir um blockbuster não é exatamente o mesmo que produzir um bom filme. Para agradar ao máximo de pessoas é preciso descer o nível até um denominador comum. É claro que podem aparecer excessões, mas com tanto dinheiro em jogo, quem vai arriscar fazer diferente?

A distribuição desses produtos gera uma batalha desleal por espaço e atenção. A disputa acontece no escasso espaço de prateleira das lojas de disco e locadoras vídeo, nas breves 24 horas de programação dos rádios e tvs e em cada pequena sala cinema de cada cidade. Não há espaço para todos os produtos. Ficam, obviamente, os mais lucrativos. Aqueles que seguiram a risca todas as fórmulas de sucesso. Adeus pequenas pérolas do cinema e tesouros escondidos da arte, afinal business is business.

A tirania do lucro consquistou sua última fronteira, a cultura de povos inteiros. Nossas memórias, imaginações e inconsientes foram colonizados. Tudo o que vemos, e nosso próprio ponto de vista não passam de um sub-produto da indústria do entretenimento. Os hits manufaturados por ela são as lentes através das quais observamos nossa própria cultura. Definimos nossa era em função dos produtos de massa que obtiveram maior sucesso de venda, é isso que compõe nossa experiência comum.

Porém, desde os anos 90 que as coisas não andam mais tão prósperas. Se observarmos com cuidado veremos que os grandes sucessos já não são tão grandes assim. Na indústria da música, por exemplo, a maioria dos 50 álbuns mais vendidos da história foram gravados nas décadas de 70 e 80, e nenhum deles nos últimos 5 anos. Estatísticas muito parecidas se repetem com o cinema e a Tv. O tempo do monopólio da mídias de massa está ficando para trás.